Por Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região


O Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região em nota indicou a necessidade da paralisação de todas operação de mineração no município, pois esta não é uma atividade essencial e a continuidade desta ação colocaria em risco os trabalhadores da Vale e toda a população Itabirana. A empresa que já nos é responsável pelo risco de doenças respiratórias, de rompimento de barragens e pelo sofrimento mental de toda população, neste momento também nos expõe ao risco de infecção pelo novo coronavírus.

Mas nas últimas semanas, a Vale não só manteve sua produção em ritmo acelerado, como o poder público municipal flexibilizou as medidas de isolamento social, retomando muitas atividades não-essenciais na cidade, em conluio com as grandes empresas que só pensam no seu próprio lucro.

A empresa Vale possui quase 10 mil trabalhadores nas minas e usinas do município de Itabira, por mais que tenha adotado diferentes turnos para reduzir a quantidade de pessoas nos ônibus e refeitórios, o contato de dezenas de trabalhadores com vários utensílios, equipamentos e locais dentro do ambiente de trabalho e no caminho pras minas é inevitável. Mesmo aqueles que trabalham isolados, em caminhões fora de estrada ou tratores da extração do minério nas frentes de lavra, podem se contaminar, pois outros trabalhadores utilizaram estes equipamentos horas antes, no turno anterior. Ou seja, o trabalho na mineração é um grande foco de disseminação do COVID-19!

Na segunda-feira (18/05) desta semana, a Vale deu início ao teste dos seus trabalhadores diretos e indiretos para a doença do COVID-19. Esta medida foi alardeada pela empresa e por vereadores de Itabira como uma ação positiva para a cidade, porém só mostrou expôs novamente a face assassina das suas operações. Hoje, quarta-feira (20/05), foi confirmada a contaminação de 27 trabalhadores da Vale, isto porque é só o início dos testes. O que confirma a relação entre a continuidade das operações na extração e beneficiamento de minério e o adoecimento da população de Itabira.

Frente a isto, exigimos:

  • Paralisação imediata de todas operações de mineração no município de Itabira-MG;
  • Garantia de pagamento do CFEM pelas mineradoras (Vale e Belmont), tendo por base a média dos últimos três meses, para que o poder público municipal possa financiar os serviços de saúde e assistência social da população da região de Itabira-MG durante a pandemia;
  • Estabilidade no emprego e pagamento integral de salário para os trabalhadores da mineração, diretos e indiretos, durante todo o período de continuidade das orientações dos órgãos de saúde para que vigore o isolamento social;
  • Tratamento de saúde pago pelas mineradoras a todos trabalhadores e seus familiares, que foram contaminados pelo COVID-19;
  • Revogação de todas medidas de flexibilização do isolamento social no município de Itabira-MG, com a paralisação imediata de todas atividades que não sejam essenciais à manutenção da vida da população;
  • Ampliação dos serviços de assistência social para que todos trabalhadores, principalmente aqueles que têm sua renda afetada pela pandemia, possam manter o isolamento social com dignidade e segurança;