fbpx


Nota de repúdio da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale sobre as declarações de rentabilidade e distribuição de lucro aos acionistas.

O dia de Natal, 25 de dezembro, será também o marco dos 11 meses do rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho. Longe de demonstrar o respeito e a solidariedade que esta época do ano inspira, a Vale escolheu anunciar, durante encontro com investidores em Nova York, os valores bilionários que pretende distribuir aos acionistas, como resultado das atividades da empresa em 2019.

Assim que ocorreu o rompimento da barragem em Brumadinho, a Vale suspendeu tanto o pagamento de dividendos quanto a remuneração variável de executivos. O valor exorbitante de R$ 7,25 bilhões supera os valores distribuídos pela companhia em 2017 (R$ 4.721 bilhões), 2016 (R$ 5.523 bilhões) e 2015 (R$ 5.026 bilhões) , quando a empresa já operava sob o marco do enorme desastre socioambiental que provocou em Mariana e na Bacia do Rio Doce. Mesmo que a mineradora ainda não tenha declarado quando irá efetivamente remunerar seus acionistas, o anúncio do montante demonstra claramente que a prioridade da empresa é respaldar a sua imagem no mercado internacional.

“Não importa que a Vale ainda não tenha efetivamente distribuído esses dividendos. Anunciá-los é uma estratégia para satisfazer o mercado e forjar uma imagem de empresa socialmente responsável e lucrativa. Por detrás desta estratégia coorporativa, mora uma perversidade brutal contra as milhões de famílias atingidas em Brumadinho e também por toda a bacia do Rio Paraopebas e o do Rio Doce”, afirma Maíra Mansur, pesquisadora e secretária executiva da Articulação dos Atingidos e Atingidas pela Vale.

Mesmo com balanços negativos no primeiro semestre de 2019, a empresa não apenas conseguiu reaver a sua lucratividade no segundo semestre, como anuncia distribuição de dividendos ainda maior do que os anos precedentes. “Isso demonstra que desastres dessa monta tornam-se oportunidades de lucro para a Vale. Isso é um escândalo. Esse tipo de tragédia comove só inicialmente o mercado, depois o que volta a viger é a lógica dos lucros desenfreados, inclusive gerando maior pressão na exploração de outros territórios, como no Norte do país”, finaliza Maíra.

A Articulação dos Atingidos e Atingidas pela Vale repudia veementemente este anúncio da Vale S.A., como repudia toda a estratégia coorporativa empreendida pela mineradora para falsear as medidas de reparação e reestabelecer sua imagem junto ao mercado e aos investidores. A esses, seguiremos alertando: investir na Vale é investir na dor.