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Era o início da noite de segunda-feira (12/4), primeiro dia do I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale. Ao reparar a movimentação na calçada de pedra portuguesa, os seguranças de terno e gravata logo se aproximaram, receosos. Um grupo composto por camponeses e lideranças comunitárias de Peru e Moçambique, representantes de movimentos sociais brasileiros, e por sindicalistas do Canadá se preparava para fazer uma intervenção simbólica em frente ao edifício onde mora o presidente da Vale, Roger Agnelli.

Vestidos com camisetas de protesto e segurando faixas e bandeiras, os  20 manifestantes posaram para fotografias em frente ao número 620 da Vieira Souto, em Ipanema, avenida nobre do Rio de Janeiro. Nos cartazes, referências às violações de direitos humanos causadas pela empresa: “Vale, não destrua vidas na África e na América Latina” e “Vale verde e amarela? Que nada! Vermelha do sangue do trabalhador” .

Juntos: Moçambique e Canadá

A greve dos funcionários da Vale, no Canadá, que completou 9 meses neste dia 13, também foi lembrada. “Vale – USW: Negociação sim, ditadura não”, dizia uma das faixas, insinuando uma postura ditatorial da empresa no trato com o USW, o sindicato de metalúrgicos dos EUA e Canadá. Outro cartaz trazia palavras de ordem da longa paralisação: Fair Deal Now! – ‘Negociação Justa Já!’; One Day Longer, One day stronger! – ‘Um dia a mais, um dia mais fortes!’

Os manifestantes deixaram suas faixas esticadas nas árvores do canteiro em frente ao prédio. Durante o ato, um luxuoso carro preto, com blindagem aparente e vidros escurecidos, saiu da garagem do edifício. Ficou a dúvida: seria o homem?