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Por: Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale


Nos dias 23 e 24 de outubro aconteceu em Itabira-MG o I Encontro de Comunidades de Resistência à Mineração com participação de cerca de 70 pessoas, representantes de diversas comunidades atingidas pela mineração, movimentos sociais, organizações da Sociedade Civil e partidos políticos comprometidos com a pauta.

A cidade escolhida para sediar o encontro é simbólica por ser berço da mineração de ferro no Brasil, que já começa a dar sinais de exaustão. No município, nasceu a estatal Vale do Rio Doce, hoje privatizada e a segunda maior empresa de mineração no mundo. A cidade é também conhecida por ser a terra natal do escritor Carlos Drummond de Andrade.

Este evento, organizado pelo Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região, em parceria com as Brigadas Populares, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale e outras entidades, é realizado num contexto muito peculiar, devido a tantos meses em isolamento social devido à pandemia do COVID19, também por ser o ano em que a Política Estadual dos Atingidos por Barragem foi aprovada, uma vitória dos atingidos e atingidas. Mas, por outro lado, por ser o ano em que o Governo Zema fecha um acordo extremamente prejudicial aos atingidos pelo crime da Vale em Brumadinho. Tudo isto se agrava com a alta do preço das commodities e os lucros recordes das mineradoras durante a pandemia, o que as encorajou a avançar ainda mais sobre nossos territórios.

Também é um ano muito difícil para os atingidos e atingidas pela mineração no município de Itabira, que convivem desde o início do ano com as ameaças de despejo e expulsão de centenas de famílias dos bairros Bela Vista e Nova Vista, ameaçadas pelo risco de rompimento da barragem do Pontal, devido às obras de descaracterização que a Vale está realizando para lucrar com a segunda safra do rejeito.

O terrorismo com a lama invisível tem sido uma estratégia comum às mineradoras em todo o estado de Minas Gerais, principalmente após os crimes da Samarco/Vale/BHP, em 2015, e da Vale, em 2019, usando o medo para expulsar comunidades inteiras dos seus territórios.

Devido a todo este contexto, este evento foi histórico, pois possibilitou criar um espaço onde o sentimento de indignação, ódio e desespero foram canalizados em luta, organização e esperança. Apesar de todas as adversidades, as comunidades nunca desistirão da luta por um futuro digno para as nossas juventudes, pela soberania popular sobre nossos bens naturais e pela defesa nos nossos ecossistemas. Continuaremos atentos/as, fortes e agora mais do que nunca, JUNTOS/AS, até a vitória!

Como desdobramento do Encontro, foi elaborado um documento que sintetiza os debates realizados, intitulada Carta de Itabira – Por um futuro para as comunidades que resistem à mineração que faz reivindicações aos órgãos competentes, denuncia a Vale para a sociedade e reafirma o compromisso com os grupos e os territórios atingidos pela mineração. Para acessá-la, clique aqui.