Por Brasil de Fato


Seis meses depois do crime da Vale em Brumadinho, no massacre que matou 272 pessoas e deixou, até o momento, 22 não encontradas, a impunidade e o descaso continuam sendo a marca da mineradora multinacional com as comunidades.

Com a mesma atuação que tem há quase quatro anos na bacia do Rio Doce, a Vale continua tentando manipular a Justiça e os atingidos, fugindo da responsabilidade pelo crime. A marca da empresa tem sido a truculência com os atingidos, desrespeitando a luta dessas pessoas e agindo como se fosse dona de tudo.

A empresa segue estratégias de individualização dos processos e tenta seduzir a população a assinar um termo de quitação, garantindo que os atingidos não possam mais reclamar seus danos à Justiça para além do valor recebido, e buscando baratear o quanto pode os custos de reparação.

Como resposta ao descaso, a organização da população tem crescido a cada dia, com a criação e consolidação de Comissões e grupos de base em diversos bairros, comunidades e municípios. Junto com o Ministério Público, a Defensoria Pública e diversos órgãos e instituições, movimentos populares e os atingidos lutam por justiça para o crime.

A luta dos atingidos e atingidas já garantiu algumas importantes conquistas, como a assessoria técnica independente, o afastamento da Vale do cadastramento das famílias, o pagamento do auxílio emergencial e o reconhecimento de mais de 100 mil atingidos que moram nas proximidades do Rio Paraopeba.

Impactos profundos

O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão atingiu toda a Bacia do Paraopeba, trazendo consequências para dezenas de municípios, chegando até o São Francisco.

A pesca, o lazer e a produção agrícola nas margens do rio foram interrompidos pela contaminação com o rejeito de minérios; o abastecimento de água está precário em diversas regiões. Os problemas de saúde se agravaram e a população reclama de vômitos, dores de barriga, feridas na pele e problemas psicológicos. As famílias enfrentam dívidas e problemas financeiros. O luto pela perda de parentes e amigos é parte do cotidiano e as comunidades sentem uma constante insegurança em suas vidas.

Precisamos reforçar cada vez mais a importância de toda a sociedade se mobilizar para apoiar os atingidos e atingidas pelo crime da Vale no Rio Paraopeba e para exigir que esse crime não fique impune. O lucro não vale a vida!