Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale


Moradora de Bento Rodrigues lê a edição de lançamento do jornal A Sirene. Foto: Lucas de Godoy

Nunca esquecer para não repetir. A memória é ferramenta essencial para impedir que violências reiteradas, como as cometidas pelas mineradoras Samarco, Vale e BHP contra os corpos e territórios que atravessam, se repitam e sejam, assim, naturalizadas.

Nesse sentido, o jornal A Sirene, lançado em fevereiro de 2016, meses após o crime da Samarco em Mariana (MG) com o rompimento da barragem do Fundão, tem sido, há cinco anos, uma voz coletiva e sempre presente a nos lembrar que nunca houve justiça para as vítimas, nem punição para os responsáveis pelo crime que matou 19 pessoas e impactou 41 municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo. Produzido pelos próprios atingidos, o jornal é publicado todo dia 5 de cada mês, em referência à data do rompimento da barragem, 5 de novembro de 2015.

Os textos publicados são relatos em primeira pessoa das atingidas e atingidas pelo crime da Samarco, suas memórias de antes do dia 05/11/2015, o empenho para retomar a vida depois daquela data, a angústia à espera do reassentamento, a saudade, as alegrias possíveis, o trabalho, o dia a dia e a luta por justiça.

O jornal tem mais de 70 pessoas, entre organizadores e colaboradores, e conta com o apoio de grupos técnicos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de assessorias direcionadas aos atingidos, movimentos sociais e coletivos.

O veículo tem uma frequência de publicações no site e YouTube que nos mantêm sempre próximos dos efeitos dos crimes das mineradoras, mas também do ânimo de recuperação dos atingidos e atingidas.

“Para não esquecer”, frase que acompanha o título do jornal A Sirene, funciona como horizonte dos relatos publicados: uma voz sempre audível a nos lembrar que a memória, embora não possa mudar o que passou, sem dúvida ajuda a pavimentar caminhos mais livres de violências, e quem sabe mais justos.

Senhora explica para fotógrafa que sempre volta à Ponte do Gama para cuidar dos animais e de parte do quintal que não foram atingidos pela lama. Foto: A Sirene