Por National Geographic


Alta concentração de metais pesados, escassez de oxigênio e turbidez elevada dizimaram vida aquática em pelo menos 300 km de extensão de um dos principais afluentes do rio São Francisco, aponta SOS Mata

Ao chegar ao Córrego do Feijão, na manhã de 29 de janeiro, a equipe especializada em água da SOS Mata Atlântica deparou-se com um cenário desolador. Situada na zona rural de Brumadinho (MG), a região envolvida por árvores nativas da Mata Atlântica fora devastada. O início do estreito curso d’água que as cortavam já não era mais visível. O rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em 25 de janeiro, liberou 14 toneladas de rejeitos de minério de ferro, que invadiram o ribeirão Ferro-Carvão e percorreram 9 km até alcançar o rio Paraopeba. Um dos principais afluentes do São Francisco, o rio serpenteia por 510 km desde a nascente no município de Cristiano Otoni até sua foz, na Usina Hidrelétrica Três Marias.

Após mapear a bacia hidrográfica e definir pontos estratégicos, Malu Ribeiro, Marcelo Naufal e Tiago Felix, da SOS Mata Atlântica, e Marta Marcondes, professora do Laboratório de Poluição Hídrica da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), partiram em uma expedição de 10 dias pelos 305 km do rio Paraopeba atingidos pela lama.

Eles passaram por 21 municípios ribeirinhos de Minas Gerais, do Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 31 de janeiro, até o Reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia, em 9 de fevereiro. Dos 22 pontos analisados, 10 foram considerados ruins e 12 péssimos, conforme a classificação do Índice de Qualidade da Água (IQA).

relatório final do programa da fundação, intitulado “Observando os Rios”, foi apresentado na manhã desta quarta-feira (27/02) na Câmara dos Deputados, durante evento que marcou o início das atividades da Frente Parlamentar Ambientalista, em Brasília.

Todas as áreas monitoradas apresentaram condições de água impróprias para consumo humano, irrigação de plantações e dessedentação de animais, devido às concentrações de metais pesados bem acima do nível permitido por lei (cobre, manganês, ferro e cromo). O governo de Minas Gerais proibiu o uso da água do Paraopeba para esses fins. Já a elevada turbidez, a escassez de oxigênio e as altas temperaturas da água impossibilitam a vida aquática ao longo da extensão percorrida, segundo a SOS Mata Atlântica.

Brumadinho está inserido na área de Mata Atlântica estabelecida por decreto em 21 de novembro de 2008, a partir da Lei 11.428/2006. O município abriga 15.490 hectares de matas bem preservadas – o equivalente a 830 campos de futebol, ou 24,22% do bioma remanescente na região, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. O MapBiomas identifica 7.058 hectares de vegetação natural, dos quais 112 hectares foram devastados pelo rompimento da barragem da Vale.

Veja a Matéria completa em: National Geographic