Resistência quilombola nas comunidades de Brumadinho

Resistência quilombola é um projeto realizado pelas Brigadas Populares em parceria com a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, com apoio da Misereor, com objetivo de fortalecer a identidade cultural de quilombos impactados pela mineração. Em sua primeira atividade realizada no dia 29 de novembro de 2020 na comunidade de Marinhos, no município de Brumadinho – MG foram entregues matérias-primas para ajudar as produções de artesanato feito por um grupo de mulheres quilombolas e a confecção de instrumentos musicais utilizados no Congado de São Benedito e do Moçambique de Nossa Senhora do Rosário.

Neste encontro foi ensinado como é feita a construção e afinação do instrumento desde a curtida e lavagem do couro, da costura artesanal até o toque teste de finalização da produção. Tecidos, tesouras, linhas e outros materiais colaborarão na produção de máscaras de tecidos para proteção da covid-19, bonecas que recontam as brincadeiras de Moçambique e congado, bastidores bordados com plantas e animais locais, bolsas de chita, bonecas abayomi, etc. Todos os produtos também contribuem na geração de renda local.

São quatro comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Palmares em Brumadinho: os quilombos Marinhos, Sapé, Ribeirão e Rodrigues. Tem ainda Lagoa, Casinhas e Massangano, em processo de reconhecimento oficial como quilombo. A estrutura garantida pelo governo ao quilombo é pequena, composta por um posto de saúde, escola até ensino fundamental e serviço de ônibus em apenas três horários para Brumadinho e três de Brumadinho a Marinhos.

A comunidade quilombola de Marinhos abriga aproximadamente 80 famílias, segundo Nair, e nasceu da necessidade de duas viúvas que eram parentes do senhor Antônio Cambão (líder comunitário). Daí surge, em 1980, o grupo de roça “Quem planta e cria, tem alegria”, para que pudesse utilizar da agricultura como forma de sustento. Alguns moradores ligados ao Grupo de Roça comercializam em pequena escala produtos como feijão, fubá e doces. Mas segundo Márcia, a professora de costura e artesanato do grupo de mulheres da marca Inspiração Quilombola, neste período de coronavírus não houve beneficiamento e venda de produtos pelo grupo da roça.

Sapé é o quilombo mais antigo de todos e a comunidade de Marinhos se formou a partir de membros de Sapé que se assentaram do outro lado do túnel do trem. A construção da linha férrea foi feita para transporte de minério pela Vale. A comunidade é atingida desde antes do rompimento da barragem do córrego do feijão em 2015.

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