fbpx

Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale


Fotos e vídeos enviados à AIAAV mostram vegetação destruída pelo volume e força da enxurrada, e o rio Tromaí e a Estação de Tratamento de Água tomados pela lama. Foto e vídeo: Divulgação

Na madrugada do dia 25 de março, a população da comunidade Aurizona, no município de Godofredo Viana, Maranhão, foi surpreendida por grande volume de lama interrompendo a única estrada que dá acesso à região e correndo diretamente para o rio Tromaí, utilizado no dia a dia pela comunidade. O rio está inserido em área federal de proteção ambiental delimitada em 2018 por meio de decreto que criou a Reserva Extrativista Arapiranga-Tromaí. A Resex foi criada para proteger o ambiente e o modo de vida tradicional das comunidades pesqueiras que ocupam a região.

Até o momento, há informações de que a população está isolada e sem água potável.

Nos arredores de onde a lama corre estão estruturas operadas pela mineradora Aurizona, pertencente ao grupo privado canadense Equinox Gold, que explora ouro na região. Em nota, a empresa afirmou que não houve ruptura de barragem, e sim o transbordamento de uma lagoa durante operação de drenagem. Segundo a Aurizona, a drenagem da lagoa foi prejudicada pelas fortes chuvas que caem na região. O período de chuvas no Maranhão é um fenômeno largamente conhecido, e não pode ser usado pela empresa para minimizar ou se eximir da responsabilidade pelo transbordamento de uma estrutura que ela deveria gerenciar já prevendo as chuvas abundantes e periódicas.

A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale (AIAAV) se solidariza com as comunidades próximas ao empreendimento e soma-se ao apelo dos atingidos e atingidas para exigir da empresa e autoridades públicas, em caráter de urgência, que haja abastecimento de água potável à população afetada e que seu trânsito seja garantido o mais rápido possível. Além disso, que as autoridades estaduais e federais competentes apurem as causas dos fatos e, se constatados danos socioambientais, tomem todas as medidas para a responsabilização civil e criminal dos envolvidos. Acima de tudo, neste momento, exigimos que todas as informações sobre a situação de segurança das estruturas do empreendimento sejam tornadas públicas, como plano de emergência, condições das estruturas e estudos de ruptura hipotética do empreendimento.