fbpx

Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale


Entre os dias 15 e 16 de maio, cerca de 30 jovens do Brasil e Moçambique impactados pela mineração da Vale, pela siderurgia e outros empreendimentos em seus territórios participaram de um intercâmbio virtual para tratar não só das lutas contra as violações sofridas, mas principalmente do protagonismo da juventude na criação de horizontes de bem viver.

Realizado pela Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale (AIAAV) em parceria com o Pacs (Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul) e com a Justiça Ambiental de Moçambique, o encontro teve participação de jovens de Rio de Janeiro e Campo Grande (RJ), Açailândia e Itapecuru-Mirim (MA) e de Moatize, na província de Tete, em Moçambique.

Padrões de violação

O intercâmbio contou com uma programação que incluiu desde a apresentação de cada território e seus moradores, até discussões políticas sobre autonomia, educação, identidade, ancestralidade, cuidado do corpo e cultura. Um dos principais tópicos das conversas foi a semelhança nos padrões de violações cometidas pelas empresas de siderurgia e mineração nos diferentes territórios, envolvendo poluição do ar, poluição sonora, contaminações, desalojamentos, estratégias de cooptação e desmobilização de resistências no interior das comunidades e repressão violenta contra tentativas dos povos de reclamar seus direitos.

Mudanças estruturais

Outro ponto fundamental do debate foi a conclusão dos jovens de que as mudanças estruturais para a melhoria da vida nos territórios não tem como vir de governos que viabilizam, por meio de licenças, financiamentos e vantagens fiscais, as atividades de grandes empreendimentos que impactam a vida de povos negros e originários. Por isso mesmo, a autonomia alimentar, educacional e política, construída no interior dos territórios e pelas pessoas que fazem parte dele, são fundamentais para a construção de um horizonte livre das opressões dos grandes empreendimentos, com valores como a coletividade, a partilha, a alimentação saudável e o envolvimento com a terra. No sentido da construção coletiva e da integração internacional, o intercâmbio representou um avanço fundamental para o fortalecimento de laços e diálogos entre jovens do Brasil e Moçambique.

Carta política

Como fruto dessa partilha, ao final do encontro, os jovens elaboraram, de forma coletiva, uma carta política apresentando suas razões de luta e suas demandas enquanto coletivos autônomos. Além da carta política, outras produções oriundas do encontro foram um caderno orientador da atividade, com textos produzidos pelos jovens; grupo de whatsapp permanente, relatoria e um conjunto de 13 colagens temáticas feitas exclusivamente para o encontro pelo artista visual àmàm, do Coletivo de Comunicação Popular Pinga-Pinga.

FAÇA DOWNLOAD DA CARTA POLÍTICA

A seguir, algumas das colagens produzidas por àmàm com inspiração nos territórios e ancestralidades.