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Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale


Trabalho de exploração na mina de Parauapebas é vetor de disseminação da Covid-19 no município. Foto: Verena Glass

Na segunda quinzena de março, a subseção de Parauapebas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Médica de Carajás (AMC) manifestaram publicamente sua preocupação com os níveis de contaminação por Covid-19 no município de Parauapebas, no Pará, sede da maior operação de exploração de minério de ferro da Vale no mundo. As entidades pediram que a empresa suspendesse suas atividades temporariamente como forma de frear o avanço da doença no município.

Apesar dos altos índices de contaminação – mais de 200 novos casos por dia em um município com cerca de 210 mil habitantes – e do colapso do sistema de saúde da cidade, a mineradora nunca parou suas atividades, que demandam grande circulação de funcionários.

Desde maio de 2020, a atuação da Vale fez explodir os casos de Covid-19 entre seus trabalhadores em Parauapebas, levando ao colapso o sistema de saúde do município.

Uma vez que suas atividades são vetor de disseminação do vírus e sobrecarga de hospitais nos territórios onde atua, a empresa não cessa de publicizar as “contribuições” ao sistema de saúde nas três esferas de governo, com doações de respiradores, camas hospitalares, seringas e outros insumos. As contribuições não são destinadas a conter o avanço da doença, mas a desviar o foco do problema que a empresa ajuda a alastrar.

Em Parauapebas, a transnacional diz ter contribuído com a reforma do hospital geral do município, criando uma ala com 28 leitos críticos para tratamento de pacientes com Covid-19. É evidente que menos de 30 leitos em um município que registra mais de 200 novos casos por dia farão uma diferença mínima, não apenas porque são poucos leitos para a quantidade de casos, mas principalmente porque a empresa não atua sobre a causa do problema – a continuidade de suas atividades –, e sim no efeito, que são as internações provocadas pela doença.

No fim das contas, as “contribuições” da Vale no combate ao Covid-19 funcionam mais como ação de marketing positiva para a empresa do que uma forma efetiva de conter a pandemia. Garantir a boa imagem é condição importante para a manutenção dos seus lucros.

A Vale arranca e destrói com as duas mãos e repõe o que expropria a conta-gotas, sem nunca reparar danos e nem se responsabilizar por eles, e muito menos cessar as causas das tragédias.

Mineração não é essencial. A vida sim.