Por Kátia Visentainer, jornalista do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração 


A Vale divulga amplamente o quanto pagou em indenizações, em um enorme número de veículos de mídia, mas você já parou pra pensar quanto ela investiu em anúncios desde o rompimento da barragem de Brumadinho?

Cheguei dia 22 de janeiro em Brumadinho e o comentário geral das comunidades mais desassistidas é sobre a redução pela metade no valor da ajuda emergencial paga pela Vale a partir do mês de fevereiro. Os adultos, que recebiam um salário mínimo mensal, passarão a receber meio salário mínimo. E os valores serão pagos somente até o mês de outubro de 2020. O auxílio continuaria a ser pago de forma integral a moradores de Córrego do Feijão, Parque da Cachoeira, Alberto Flores, Cantagalo, Pires e nas margens do Córrego Ferro-Carvão.

Mas enquanto a Vale reduz pela metade o valor pago de auxílio aos atingidos em Brumadinho, investe pesado em propaganda na grande mídia.

Afinal, o que importa mais para a Vale S.A., reparar os danos do crime em Brumadinho ou cuidar da sua imagem?

Desde a tragédia em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento da Barragem 1 da Vale, a mineradora tem anunciado nos mais diversos veículos de comunicação. A primeira campanha milionária estreou logo no dia 26 de janeiro de 2019, um dia após o rompimento da barragem. Como a mineradora não divulga o seu planejamento de mídia, infelizmente não se tem como mensurar os valores pagos em propaganda. Mas é certo que os anúncios foram contínuos durante todo ano de 2019.

Desde o final de dezembro, a empresa vem anunciando nas emissoras da TV Aberta e nas emissoras de TV por assinatura um comercial de 1 minuto de duração — onde lista as ações que tem feito para reparar os danos da tragédia.

Matéria completa em: Uma vida pra Vale S.A. vale menos que um anúncio de 30 segundos no Jornal Nacional